BY - Desenvolvimento Pessoal - Part 1

Autor: Ricardo R. Vieira

Desenvolvimento Pessoal, o que é? (parte 1)

Desde a profunda filosofia oriental à mais moderna filosofia ocidental, desde Confúcio a Aristóteles, à psicologia, com Freud e Carl Jung e, mais recentemente, à neurociência encontrará várias linhas de pensamento e propostas que tentaram explicar e avançar o navio da compreensão da condição humana.

Desenvolver significada mudar e mudar significada deixar de ser quem foi. E, isso, tem um custo. Mas, por outro lado, tem também um potencial. Um potencial de se colocar numa outra posição mais vantajosa. E, o desenvolvimento pessoal tem tudo haver com colocar-se progressivamente em posições mais vantajosas.

Por exemplo, o grande filosofo grego Aristóteles (séc III a.C) traz uma definição interessante para o desenvolvimento pessoal. Aristóteles vê o desenvolvimento pessoal à luz da ética. A ética que será um veículo de elevação da condição humana, praticando certos valores centrados no bem-estar pessoal e coletivo.

Epictetus, filosofo grego (séc. II), acrescenta que não são as coisas que nos acontecem que nos disturbam, mas a forma como as vemos. Dando assim um toque de reflexão sobre a nossa realidade subjetiva.

Confúcio, um dos grandes influentes da tradição chinesa, escreve no século III a.C., sobre a importância de atingir excelência através do desenvolvimento e da aplicação das nossas virtudes, não só pela investigação das coisas, mas pela investigação da própria vida.

Sigmud Freud, apresenta um modelo tridimensional do homem, compostos pela Id, Ego e Superego. E, Carl Jung avança construindo um conceito de individualidade, onde define cada ser como único.

É Alfred Adler que cunha o termo lifestyle, afastando a psicologia duma metodologia estritamente analítica para um sistema que caracteriza a vida de uma forma mais dinâmica e maleável. Um sistema que aponta as nossas opções como uma influência causal do que nos acontece.

A evolução destas linhas de pensamento influenciou tremendamente toda uma estrutura económica, cultural e social ao longo dos séculos. Recorde-se por exemplo, que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, foi criada em 1948, como o objetivo de melhor definir o significado de expressões como “liberdade fundamental” e os “direitos humanos”. Até lá, não estava oficializado a igualdade universal de todos os seres humanos num contexto tão internacional (não que esteja agora…). Talvez num futuro próximo seja proposto um apêndice, com uma Declaração Universal dos Direitos dos Seres Vivos. 😉

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Oriente e ocidente

Portanto, o próprio desenvolvimento pessoal é muito contextual e dependente do pensamento e cultura vigente. No entanto, poder-se-á apontar dois grandes epicentros no seu estudo: o ocidente e o oriente. Percebemos que os esforços e modelos ocidentais, são grandemente baseadas em ilustrações, teorias e propostas conceituas, com a religião judaico-cristã e a psicologia Juncana a influenciar a principal linha de pensamento atual. Já no oriente, encontramos outro tipo de abordagem, também conceitual, mas mais rica em técnicas práticas. Algumas com fundamento religioso, como o hinduísmo e budismo, outras menos ou nada teístas, como as artes marciais e o yôga. Por outras palavras, as linhas ocidentais seguem muito uma filosofia epistemológica (saber que), enquanto que as linhas orientais são (ou foram) mais práticas e aplicáveis (saber como).

Hoje em dia, a dinâmica da migração e de toda a nova forma de troca de informação agitou estes dois epicentros de tal forma que somos invadidos diariamente por um cem número de propostas. Misturam-se várias linhas ocidentais e orientais, mistura-se psicologia, com neurociência, com técnicas de meditação e mindfulness, tornando cada vez mais difícil isolar e seguir um caminho só e destilado.

Conservação e inovação

Apesar disso, ainda se encontrarão dois tipos de escolas. Escolas com índole mais conservadora e escolas com índole mais inovadora. Ambas têm vantagens e desvantagens. O conservadorismo garante que aquilo que o praticante aprende segue um conhecimento ancestral, minimizando misturas, estancando o progresso e a modificação. Dessa forma, são minimizados potenciais conflitos ou efeitos adversos não conhecidos. Por exemplo, algumas escolas orientais, chegam a proibir os praticantes de praticar fora do seu ashram (escola). Se assim o fizerem serão provavelmente expulsos. O que tem a sua lógica, especialmente para proteger o praticante de estar a tomar dois “comprimidos” incompatíveis. No entanto, o conservadorismo peca pela desatualização, a fraca vontade de admitir defeitos e limitações e, também, pelas maiores dificuldades em se contextualizar num mundo diferente do qual foi criada a metodologia.

Por outro lado, existem as escolas mais liberais e inovativas, que misturam metodologias antigas com contemporâneas. Combinam processos anteriores com novos processos e assim apresentam um novo produto, único e diferenciador. Estas linhas ajustam-se mais facilmente ao pensamento e cultura contemporânea, no entanto, os praticantes estão por seu próprio risco, por serem os pioneiros, os human guinea pig (cobaias), e tudo o que isso acarreta de bom e menos bom.

Claro que em algum momento da história alguém teve que criar, lutar contra status quo, desafiar o pensamento, testar, aprender e implementar.

Responsabilidade e auto-estudo

É, por isso, importante ressalvar que é da responsabilidade do praticante, empenhado no desenvolvimento pessoal, afinar a sua mente para a tomada de consciência e auto-estudo, informando-se e percebendo qual o contexto, a história e em é que são baseadas as propostas a que se propõe. É importante lembrar-se que o último responsável por aquilo que lhe acontece é você mesmo.

Porém, já que estamos numa época de factos, de grandes dados, porque não puramente recorrer a metodologias com evidências comprovadas? Investindo o seu tempo apenas em propostas validadas pela ciência, evitando uma série de falácias e propagandas enganosas?

A metodologia científica veio certamente revolucionar muitos dogmas e crenças, colocando o conhecimento numa nova perspetiva. O poder de livros e escrituras foi desvalorizado e os testemunhos foram apenas cotados de anedóticos. Desenvolveu-se um modelo de teste e argumentação factual de forma a separar o ouro da gravilha. Este processo de observação, formulação de hipóteses, teste e de construção de novas e melhores hipóteses, permitiu que múltiplas ciências evoluíssem como nunca antes de uma forma expressivamente mais confiável.

Por outro lado, existem ainda sérias limitações do conhecimento segundo metodologias cientificas. Primeiro, estamos a falar de algo com apenas com alguns anos. O que de um modo geral significa que tanto as técnicas de análise como os dados disponíveis são muito limitados (a chamada grey zone). Segundo, a ciência enfrenta sérias limitações de recursos (especialmente financeiros) em muitos áreas de pouco interesse comercial, como o desenvolvimento pessoal. Terceiro, em algumas áreas, as publicações cientificas, o equivalente à bíblia na religião, enfrentam uma crise de reprodutibilidade, onde segundo um estudo da Nature (artigo), mais que 50 % dos artigos publicados não conseguiram ser reproduzidos (conditio sine qua non para validação cientifica). Quarto, a ciência afirma a volatilidade das certezas. E mesmos os factos atuais, são aceites apenas como verdades passíveis de virem a ser modificadas ou eliminadas. Quinto, e último, a ciência analisa maioritariamente variáveis isoladas, perdendo muitas vezes um contexto complexo, holístico, que pode funcionar como catalisador ou inibidor em potencial.

Deparamo-nos com o paradoxo socrático: “Só sei que nada sei!”.

Ou seja, pobre humano que tenta genuinamente desenvolver-se e que encontra um palco rodeado de incertezas, colorido por paradoxos e ambiguidades e ao som de rock, jazz e opera tudo na mesma sala. Como focar? Como fazer? Como escolher?

BY-Sócrates-Só sei que nada sei

A jornada

Se, por um lado, é senso comum que só escavando num local podemos atingir profundidade suficiente para encontrar água, por outro, é nos difícil tomar essa decisão especialmente pelo risco de estarmos a cavar em terra seca. E se existem bandeiras vermelhas óbvias em algumas metodologias, existem muitas outras metodologias que estão no limbo ou em zonas cinzentas de validação.

Temos uma escolha difícil de fazer, um conflito de decisão! O pior de cada decisão é o custo de oportunidade subjacente a essas escolhas. A minha escolha não é apenas uma escolha, mas é tudo o que eu deixarei de poder fazer quando opto por algo em prol de outra coisa. Como Sartre propõe, nós somos os responsáveis pelas nossas escolhas (liberdade de escolha), mas para escolher temos que atribuir valor, o valor que atribuímos é baseado nas nossas referências (muitas delas ambíguas ou contraditórias e altamente contextuais), o que nos leva a um estado último de angústia. A angústia existencial. É um dos resultados da filosofia existencialista. Assumir a responsabilidade tem as suas consequências. Por um lado, aumenta o seu poder em relação a algumas coisas que lhe acontecem, por outro, cria este sentimento de angústia (angústia existencial).

Talvez, tenhamos que recorrer ao profeta Zaratustra, de Nietzsche, que refere: “Demora o tempo que precisares para encontrar aquilo que queres fazer na vida e depois não recue perante nenhum obstáculo”.

No desenvolvimento pessoal devemos procurar, dentro de inúmeras propostas, aquelas que nos identificamos mais, aquelas que nos acrescentam valor mensurável, aquelas que nos alinhamos automaticamente, sem esforço. Aquelas que parecem terem sido criadas e desenhas especialmente para nós, e depois, dedicar diligentemente o nosso tempo e energia, com foco e disciplina continuada.  Só assim, conseguirá atingir profundidade suficiente para encontrar a água que procura.

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A verdadeira viagem da descoberta consiste não em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos.
(Marcel Proust 1871-1922)

 

Agenda já sessão esclarecimento
  1. Bibliografia
    1. The science of meditation, Daniel Goleman e Richard J. Davidson
    2. Textos de filosofia, Maria Santos e Teresa Lima, Porto Editora
    3. História Breve da Humanidade, Yuval Harari
    4. Porque falham as nações, Daron Acemoglu e James A. Robinson
    5. Tratado de Yôga, DeRose
    6. Pensar Depressa e Devagar, Daniel Kahneman
    7. Decision-Making Capacity, Charland, Louis C., The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Fall 2015 Edition), Edward N. Zalta (ed.),
      https://plato.stanford.edu/archives/fall2015/entries/decision-capacity/
    8. Scientific Method, Andersen, Hanne and Hepburn, Brian, The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Summer 2016 Edition), Edward N. Zalta (ed.),
      https://plato.stanford.edu/archives/sum2016/entries/scientific-method/
    9. Cultural Evolution, Lewens, Tim, The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Summer 2018 Edition), Edward N. Zalta (ed.),
      https://plato.stanford.edu/archives/sum2018/entries/evolution-cultural/
    10. Personal Development – https://en.wikipedia.org/wiki/Personal_development

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