BY-Desenvolvimento Pessoal-parte 2

Autor: Ricardo R. Vieira

Desenvolvimento Pessoal, o que é? (parte 2)

Quando se aborda o tema de desenvolvimento pessoal, gosto de começar por referir duas histórias em particular para ilustrar parte deste processo de autoconhecimento.

 

Primeira história:

Imagine uma família, a passear num parque, com a pequena Mafalda, de 3 anos de idade. O pai, em tom de brincadeira coloca a Mafalda às suas cavalitas. Nesse preciso momento, Mafalda olha para a mãe e menciona:

– “Mamã, sou mais alta que tu!!”

Todos riem. Fim da história.

 

Segunda história:

Um monge a meditar sobre a tolerância é sondado por um turista:

– O que está a fazer? – pergunta o turista.

– Estou a meditar sobre a tolerância – responde o monge.

– A sério? Vai mas é para o inferno! – responde o turista.

– Vai tu para o inferno!! – recalca o monge ainda mais alto.

(adaptado do livro The Science of Meditation, Daniel G e Richard J. D.)

BY-Family

Ser ou estar

Agora analisemos ambos os acontecimentos. No primeiro caso, poderá estar a pensar qual a relação dum passeio no parque com desenvolvimento pessoal? Porventura, nesse pequeno acontecimento, poder-se-á perceber a nossa construção da realidade através da criação de personagens. A Mafalda, criou um novo ser, que é mais alto do que a mãe. Uma criação aparentemente inofensiva, mas que envolve uma tendência inata e limitante. Mafalda apesar de naquele momento conseguir olhar para a mãe de cima, não significa que “é” mais alta. Significa que “está” mais alta.

Daqui retiramos uma importante lição, “estar” é diferente de “ser”. O mais engraçado é que a Mafalda um dia será adulta e terá essa mesma dificuldade em distinguir o “ser” do “estar”. Assumimos que somos uma lista de atributos, ao invés de percebermos que na verdade a grande parte desses adjetivos “estarem” apenas presentes e não “serem” o que somos. Quando percebemos esta importante diferença, ganhamos poder para a cada novo dia, descobrir e experimentar uma nova personagem, estudando o impacto desses mesmos comportamentos. Se forem vantajosos implementamos, caso contrário simplesmente descartamos.

DO LABORATÓRIO À VIDA REAL

Agora, analisemos a segunda história. O processo de desenvolvimento pessoal é como um carro de competição. Não é nas boxes que é testado. Só se conseguirá perceber as capacidades e limitações quando este é testado na pista, a alta velocidade. É muito fácil se colocar num pedestal, isolar-se, excluir ou eliminar. É muito mais difícil colocar-se em cenários sociais que vão esmiuçar o melhor e o pior de si.

O desenvolvimento pessoal segue estas duas linhas. Primeiro, tem que distinguir claramente o “estar” do “ser” e, segundo, terá que ir variando entre o laboratório e em campo de batalha de forma a testar as suas verdadeiras respostas aos impulsos imprevisíveis do ambiente.

SER OBSERVADOR

Em ambos os casos ajudará colocar-se como observador. Ver-se como um ator, onde a vida é como uma peça de teatro, onde ensaiámos uma personagem, um papel, uma peça. O problema é nos esquecemos frequentemente que “estamos” apenas a representar e que não “somos” aquilo. Quando nos esquecemos que a personagem, ou personalidade, é apenas um desenrolar da nossa narrativa e vivência pessoal e subjetiva, e que podemos a qualquer instante escolher um novo papel, congelamos comportamentos e perdemos o comando. Por outro lado, quando nos colocamos como observadores e desapegamos dessa incrustação, ganhamos poder para criar novas personagens. Podemos facilmente fechar a tela no final do dia e abrir um novo espetáculo no dia seguinte. Do amanhã poder ser melhor que o hoje, tal como o hoje poder ser melhor que o ontem. É uma mudança de perspetiva incrível.

PROCESSO APRENDIZAGEM

Contudo, como em todo o processo de aprendizagem, o desenvolvimento pessoal tem também quatro fases distintas na aquisição de competências. E começa pela imprescindível fase subjacente à mudança, que é a tomada de consciência.

  1. inconscientemente incompetente, quando eu não sei que não sei, e não identifico nenhum motivo para mudar
  2. conscientemente incompetente, quanto eu percebo essa minha limitação e assim, predisponho-me a fazer algo
  3. conscientemente competente, quanto conquisto essa competência conscientemente
  4. inconscientemente competente, quanto através da repetição, crio um condicionamento, que se manifesta sem que eu necessite sequer de pensar ou tomar consciência.

MODELOS SIMPLIFICADOS

A tomada de consciência define, portanto, os limites da nossa capacidade de tomada de decisão consciente. Mas, mesmo o processo de tomada de consciência é relativo. Schopenhauer refere que a representação relativa do mundo que cada um de nós utiliza, é limitada à nossa capacidade de interpretação. A realidade é sempre subjetiva a cada individuo. Segundo essa perspetiva, não há uma realidade última, existem apenas realidades subjetivas e pessoais. Adicionalmente, Luc de Brabandere, usa uma interessante relação entre o processo da criação do pensamento e a nossa limitação de memória. Pela nossa falta de capacidade de processamento de grandes dados, face à complexidade do ambiente, recorremos à simplificação como a única forma possível de interpretação do mundo. Como é que fazemos? Criando modelos e crenças, categorizando as coisas e associando a informação em aglomerados de forma a construirmos uma narrativa coerente, mesmo que o mundo não seja de todo coerente.

Temos então modelos simplificados, subjetivos e imaginários. Não são certos ou errados. São apenas estruturas de interpretação heurística do mundo à nossa volta, utilizando os limitados recursos cognitivos que possuímos. Porém, mais importante do que estar certo ou errado, é perceber se esses modelos são ou não vantajosos.

Vimos na parte 1 (artigo) que é extremamente difícil escolher. O desenvolvimento pessoal não é ciência pura. É mais uma filosofia, uma poesia, que usa aqui e ali ferramentas para lapidar o mármore e criar potenciais obras de arte.

E temos que assumir essa nossa ignorância e abraçar o limitado conhecimento que dispomos para ir gradualmente um pouco mais longe. Acredito que nesse processo é mais importante criar perguntas poderosas do que afirmações intransponíveis.

MUDAR OU NÃO MUDAR?

Contudo, porque devemos investir o nosso tempo em desenvolvimento pessoal, se há tantas outras coisas interessantes para fazer (e que requerem muito menos esforço…)?

O desenvolvimento pessoal assume um caminho para o autoconhecimento, para a autossuficiência, a autonomia, a autoconfiança, o aprimoramento pessoal. É um processo de melhoria contínua que deverá refletir estados de maior bem-estar, qualidade de vida, produtividade e felicidade. Estes são bons indicadores de evolução.

O desenvolvimento pessoal será a rede social que nos elevará para condições individuais e coletivas mais vantajosas e sustentáveis. Sem consciência não há mudança consciente, ficando invariavelmente mais suscetível ao acaso e sorte. Por isso, talvez a verdadeira prioridade atual não seja a revolução informática ou genética, mas sim a revolução da consciência, da autoconsciência. E este é sem dúvida um dos grandes motivadores para o desenvolvimento pessoal. Existem outros claro.

Por último, o desenvolvimento pessoal tem que ver com mexer quando estamos bem ou menos bem. É um processo constante de confrontar a habituação e os condicionamentos, de explorar novos mundos potencialmente melhores. Mas, esse crescimento é feito através do cessar de muitos impulsos humanos básicos.  O evoluir requer abandonar padrões limitantes por comportamentos atualizados e vantajosos.

BY-Liberdade

PARADOXO DA LIBERDADE

É um paradoxo importante de perceber. Muitas vezes, para ganharmos liberdade temos que criar regras, limites, barreiras, ou seja, disciplina. Quando cria essa matriz pessoal, a sua consciência vai-se expressar segundo esses princípios (por exemplo, um código ética). E é paradoxal, porque muitas vezes o limitar é libertar. Para ilustrar esta afirmação, o melhor exemplo que conheço é o seguinte: imagine que acredita que para o seu companheiro de quatro patas, Fred, poder expressar a sua liberdade, não lhe deve limitar os seus comportamentos a regras. Sente que não lhe deve impor coisa alguma, para não castrar a sua “autenticidade” canina. Mas pare para pensar. Se Fred não conhecer as regras sociais, nunca terá a chance de conviver em harmonia com os outros. Não o poderá soltar da trela, pois como corre para todos os lados pode ser atropelado, e tem que andar de açaime pois por instinto quer morder tudo o que se mexe.

Agora, pense num outro cenário. Fred, foi desde pequeno ensinado quais são as regras sociais, foi ensinado a comportar-se nos mais diferentes cenários. Claro que os seus instintos primários tiveram que ser, até certo ponto, castrados. Mas, agora Fred, percorre as ruas da cidade sem treta. Fred recebe carinho de outros cães e de pessoas que simpatizem com ele. Quais dos Fred tem mais liberdade? Percebe a diferença?

O desenvolvimento pessoal segue estas mesmas linhas. Muitos dos nossos instintos animalescos têm que ser castrados, disciplinados, para que possamos aceder os outros estados de consciência e a outra experimentação da realidade.

ESCOLA BRING YOURSELF

A consultoria de desenvolvimento pessoal na escola Bring Yourself baseia-se numa proposta de apontar alguns dos parâmetros mais relevantes que irão facilitar essa transformação. É uma proposta de filosofia de vida (lifestyle) que se centra no alto-desempenho, produtividade, bem-estar, vitalidade e qualidade de vida.

Se na sua mala de ferramentas só tiver um martelo, vai apenas procurar pregos para reparar a máquina operacional e tudo o que estiver à sua volta. Por outro lado, quando adquire novas competências, a sua mala de ferramentas tornar-se-á mais diversificada e com mais e melhores opções para as circunstâncias da vida. Ficará mais capacitado de tirar proveito dos desafios, transformando-os em oportunidades a seu favor e a realizar mais e melhor como menos esforço. Ganhará liberdade.

 

Acreditamos que a inspiração está em cada um de nós.

E que cada um de nós é uma potencial inspiração para os demais.

A nossa missão é ajudá-lo nessa descoberta.

 

Escola Bring Yourself, a inspiração está em si!

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A verdadeira viagem da descoberta consiste não em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos.
(Marcel Proust 1871-1922)

 

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Bibliografia

  1. The science of meditation, Daniel Goleman e Richard J. Davidson
  2. Textos de filosofia, Maria Santos e Teresa Lima, Porto Editora
  3. História Breve da Humanidade, Yuval Harari
  4. Porque falham as nações, Daron Acemoglu e James A. Robinson
  5. Tratado de Yôga, DeRose
  6. Pensar Depressa e Devagar, Daniel Kahneman
  7. Decision-Making Capacity, Charland, Louis C., The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Fall 2015 Edition), Edward N. Zalta (ed.),
    https://plato.stanford.edu/archives/fall2015/entries/decision-capacity/
  8. Scientific Method, Andersen, Hanne and Hepburn, Brian, The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Summer 2016 Edition), Edward N. Zalta (ed.),
    https://plato.stanford.edu/archives/sum2016/entries/scientific-method/
  9. Cultural Evolution, Lewens, Tim, The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Summer 2018 Edition), Edward N. Zalta (ed.),
    https://plato.stanford.edu/archives/sum2018/entries/evolution-cultural/
  10. Personal Development – https://en.wikipedia.org/wiki/Personal_development

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